WALDEMAR KISCHINHEWSKY, patrono da Cadeira 44.
Waldemar Kischnevsky fez-se merecedor da honra de patronear a Cadeira nº 44 da Academia Brasileira de Reumatologia por sua contribuição em vincular a Radiologia, seu campo de ação, à Reumatologia.
Filho de imigrantes vindos da Moldávia — daquelas terras de campos e serranias celebradas por Smetana —, chegados ao Brasil no primeiro quartel do século XX, Waldemar nasceu no Rio de Janeiro, em 1925. Com o falecimento do pai, em 1934, os encargos da família recaíram sobre a dedicada mãe; ainda jovem, ele passou a auxiliá-la em humildes tarefas para ajudar no sustento da casa. Mesmo assim, cumpriu com dedicação e proveito os estudos primários e secundários, estes últimos no Colégio Pedro II.
Formou-se pela Escola de Medicina e Cirurgia do Instituto Hahnemanniano, em 1951. Logo prestou concurso para a Aeronáutica e dedicou-se à futura Imagenologia, sob a orientação do grande Nicola Caminha. Seu interesse voltou-se para a vinculação da Radiologia com a clínica, notadamente a Reumatologia e a Gastroenterologia.
Por concurso, ingressou no serviço médico da Aeronáutica, onde fez carreira brilhante, chegando ao posto máximo de Brigadeiro Médico e exercendo o cargo de Diretor do Hospital Central da Aeronáutica. Foram reconhecidos seus esforços para tornar-se eminente radiologista, o que lhe valeu integrar diversas comissões examinadoras de concursos para médicos da Aeronáutica, tendo presidido cerca de uma dezena delas.
Iniciou-se no magistério médico como Professor Assistente e, depois, Adjunto da Escola de Medicina e Cirurgia do Instituto Hahnemanniano. Por concurso, tornou-se Professor Titular de Radiologia, defendendo tese sobre Anemia Falciforme. Foi também docente da Faculdade de Medicina de Petrópolis.
Seu exercício no Hospital Gaffrée e Guinle aproximou-o dos serviços e docentes das diversas clínicas. Laços importantes foram criados com o Setor de Reumatologia, então parte da Primeira Cadeira de Clínica Médica, cujo titular era Jacques Houli — intercâmbio sempre benéfico, por motivos mais que óbvios, no qual os monstros sagrados Emílio Amorim e Nicola Caminha se esmeraram, respectivamente, nos domínios da Osteorradiologia e da Radiologia Osteoarticular.
Kischnevsky foi convocado ainda para o ensino de pós-graduação, como Professor Assistente de Radiodiagnóstico da Escola de Pós-Graduação Médica do Rio de Janeiro e como Professor Convidado da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro, da qual recebeu os títulos de Livre-Docente em Radiologia e de Doutor em Medicina, após defender tese sobre Mieloma Múltiplo.
No plano associativo, foi membro da Sociedade Brasileira de Reumatologia e das entidades de sua especialidade, no Brasil e no exterior. Reuniu expressiva bagagem científica e, além das teses, foi coautor do capítulo de Radiologia do livro Cirurgia do Aparelho Digestivo, do Professor Lúcio Galvão.
Ostentou as seguintes honrarias: as Ordens do Mérito, no grau de Comendador — Aeronáutico, Naval, Militar, Rio de Janeiro e Santos Dumont — e o título de Membro Honorário da Sociedade Portuguesa de Radiologia e Medicina Nuclear.
A consagração maior seria sua eleição, com a Memória Envolvimento Pulmonar no Lúpus Eritematoso Disseminado, para Membro Titular (1990) da Academia Nacional de Medicina, título que já ostentava na Academia Brasileira de Medicina Militar.
Texto de Geraldo Wilson da Silveira Gonçalves, no livro “Reumatologia Brasileira: Precursores e Pioneiros”.