RUBEN LEDERNAN, patrono da Cadeira 34.
Nasceu no Recife (PE) em 12 de junho de 1936. Fez toda a sua formação — primária, secundária e pré-médica — na cidade natal e, em 1954, matriculou-se na tradicional Faculdade de Medicina de Pernambuco (a “Escola do Recife”), fundada em 1929 e transformada em grande centro de medicina tropicalista, tradição iniciada bem antes na Faculdade de Medicina da Bahia. Graduou-se médico em 1959.
Naquele momento, a Reumatologia dava seus primeiros passos em Pernambuco: Ennio Teixeira de Carvalho a introduzira em 1954 e Geraldo Gomes de Freitas a inauguraria formalmente em 1957. Na Faculdade de Medicina, o estudo e o ensino da especialidade estiveram, de início, vinculados à Cátedra de Terapêutica do eminente e saudoso Professor Hoel Sette.
Com horizontes que iam bem além do torrão natal, Lederman buscou o Rio de Janeiro para cumprir residência em Clínica Médica no Hospital dos Servidores do Estado — então modelar —, vinculado ao IPASE (Instituto de Previdência dos Servidores do Estado, hoje extinto). Ali permaneceu de 1960 a 1962 e, por seus méritos, foi designado Residente-Chefe.
Nesse período despontava, brilhante, a estrela de Verztman, que viera do Laboratório Clínico para chefiar o Setor de Reumatologia, criado por Pedro Nava quando diretor do hospital. Lederman trazia de Pernambuco o interesse pela Clínica Médica e pela Gastroenterologia, herança de sua formação com o grande Djalma Vasconcelos; mas foi tomado pela “mosca azul” da Reumatologia, atraído pelo forte carisma de Verztman. Cumpriu, assim, seu terceiro ano de residência (1962) já na especialidade. Selava-se ali uma amizade e uma parceria que perdurariam por longos anos — e teriam durado muito mais, não fossem as parcas tão cruéis e precoces em nos tirar aquele querido mestre.
Integrado ao staff do serviço, Lederman muito contribuiu para transformar a estrutura e a filosofia do setor, então meramente assistencial, orientando-o para o estudo, o ensino e a pesquisa. O setor tornou-se um dos principais destinos de quem desejava se especializar. Da profícua associação — à qual se juntariam, depois, Jacob Rubinstein, Nocy Leite e outros — resultaram múltiplos trabalhos publicados e apresentados a partir do VI Congresso Brasileiro (São Paulo, 1966).
Muito apreciados, esses trabalhos versavam principalmente sobre as doenças difusas do colágeno — as preferências de Verztman, de quem fez escola respeitada. Conferências, palestras e cursos se sucediam, consolidando também Lederman como pesquisador e autoridade na matéria. Merecem destaque duas grandes obras em que colaborou de modo brilhante: os livros Doenças Difusas do Tecido Conjuntivo, em duas edições (1970 e 1982), e Reumatologia Pediátrica (1977). Foi ainda responsável por capítulos em Reumatologia (Seda, 1972 e 1983) e em Clínica Reumatológica (Aquiles Cruz Filho, 1978).
Sua atuação associativa vinculou-o à Sociedade Brasileira de Reumatologia e à Sociedade de Reumatologia da Guanabara, depois do Rio de Janeiro, da qual foi presidente em 1974. Na SBR, foi Secretário-Geral (1976–1978) durante a presidência de Verztman — que teve, entre seus últimos pedidos, o desejo de ver Lederman à frente da entidade, o que se concretizou na gestão de 1982 a 1984.
Conselheiro da PANLAR, foi eleito, em 1990, presidente do Comitê Ibero-Americano; após um marcante quadriênio (1990–1994), foi reeleito para novo mandato (1994–1998), acumulando-o com a presidência da Academia Brasileira de Reumatologia (1994–1996).
No magistério, mais uma vez acompanhou Verztman, titular da Disciplina de Reumatologia da Faculdade de Medicina da Universidade Souza Marques; com o falecimento do mestre, permaneceu na titularidade, honrando-lhe a memória. Cumpriu também, com distinção, a missão que lhe delegou a Diretoria da ILAR ao designá-lo para assessorar Chahade, Presidente Executivo do XVII Congresso Internacional de Reumatologia, realizado no Rio de Janeiro em 1989.
Ostenta honrarias conquistadas por seu trabalho dedicado à Reumatologia: é Membro Honorário das Sociedades de Reumatologia da Argentina e do Chile, além da Brasileira, como ex-presidente. A Sociedade Cearense de Reumatologia conferiu-lhe a Medalha Geraldo Gonçalves, do mérito reumatológico. É Membro Titular da Academia Brasileira de Medicina de Reabilitação e, por seus méritos reconhecidos, Patrono e Membro Titular — primeiro ocupante — da Cadeira nº 34 da Academia Brasileira de Reumatologia.
Texto de Geraldo Wilson da Silveira Gonçalves, no livro “Reumatologia Brasileira: Precursores e Pioneiros”.