Em Assembleia Geral Ordinária, realizada em Curitiba, durante o Congresso Brasileiro de Reumatologia (SBR2026), o Dr. Georges Basile Crhistopoulos transmitiu a presidência da Academia Brasileira de Reumatologia (ABR) para a Drª Sueli Carneiro. A assembleia marcou o início da gestão 2026-2028, com a posse da nova diretoria.
A assembleia foi presidida pelo acadêmico Dr. Joaquim Jaguaribe Nava Ribeiro e secretariada pelo acadêmico Dr. Geraldo da Rocha Castelar Pinheiro.

Gestão 2024-2026
O acadêmico Dr. Georges Crhistopoulos apresentou um relatório da gestão 2024-2026, que foi concluída com muitas realizações e eventos. Além da conclusão de um novo site da academia, reumatobr.com.br.
Na gestão, foi dada grande ênfase à pesquisa busca de dados sobre a academia, seus fundadores e pioneiros titulares e eméritos. Também houve encaminhamento para planejamento estratégico, iniciado durante o SBR2026, com a participação da nova diretoria e acadêmicos.
Entre os legados estão o início dos estudos do novo estatuto e sugestões para várias áreas da ABR.
Novo estatuto
Também foi apresentado, pela acadêmica Blanca Elena Rios Gomes Bica, pontos do estatuto que precisam ser estudados e alterados. Os acadêmicos terão acesso ao texto e poderão apresentar sugestões. O novo estatuto precisará ser apresentado e votado em assembleia geral.
Posse
A acadêmica Drª Sueli Carneiro fez um discurso de posse manifestando a gratidão pela eleição com a confiança de todos os acadêmicos e acadêmicas. Ele elencou pontos importantes que deverão nortear a sua gestão:
Emoção e responsabilidade – Seu discurso foi aberto agradecendo e destacando que assumir a presidência da ABR é, ao mesmo tempo, um momento de grande significado pessoal e uma imensa responsabilidade – a de entrar numa história que começou antes dela.
Memória e origem da Academia – Ela relembra os fundadores (Caio Vilela Nunes como idealizador, além de Jacques Houli, Waldemar Bianchi e Israel Bonomo), a formalização da ABR em 1981 e a posse dos primeiros titulares em 1982 — sessão a que ela própria assistiu. Conta sua trajetória: posse na Cadeira 8 em 1994, tendo Israel Bonomo como patrono e Syllos de Sant’Anna Reis (“tio Syllos”) como antecessor.
O que faz uma Academia – Defende que uma Academia não se sustenta em nomes e títulos, mas em memória, conhecimento, ética, fraternidade e compromisso científico, cultural e humano. Cada cadeira guarda uma biografia e cada acadêmico recebe uma herança e acrescenta a ela. Hoje são 84 acadêmicos, representando a diversidade regional do Brasil.
Apresentação da Diretoria – Nomeia toda a diretoria eleita, o Conselho Fiscal (formado por ex-presidentes, para garantir transparência), o Conselho Deliberativo e a Comissão de Cultura, ressaltando que é uma diretoria plural, que reflete a diversidade do país.
Continuidade com renovação – O fio condutor é o lema “honrar o passado, cuidar do presente, construir o futuro”. Ela afirma que continuidade não é repetição: é preservar a essência e ter coragem de fazer avançar – discernindo o que preservar, aperfeiçoar e renovar, sempre com respeito a quem veio antes.
Alma e identidade – Valorizar os ritos acadêmicos (vistos como parte da alma e da identidade da instituição, não meras formalidades); atualizar o Estatuto e o site institucional; fortalecer os canais de comunicação com civilidade e pluralidade; aproximar as gerações (jovens, associados, eméritos e titulares); fortalecer ensino e pesquisa; e aproximar a Reumatologia de outras áreas.
Medicina como ciência e cultura – Um dos temas centrais: ciência, arte, música e literatura são dimensões da formação humana, e a Medicina plena precisa de todas elas. Ela deseja uma Academia “rigorosa na ciência, firme na ética e generosa na convivência”.
Convite à participação – Reconhece que nenhuma diretoria transforma a Academia sozinha e convida os acadêmicos a construir a gestão em conjunto – propondo, sugerindo, ponderando e até criticando.
Encerramento – Retoma o fio da própria vida ligada à instituição (“eu estava lá” no início; hoje o privilégio de estar à frente), com a ideia de que todos são “elos de uma história” que continua depois de nós. Faz um brinde à perenidade da Casa, à ciência que honra a tradição sem temer a inovação e à Medicina que, para ser excelente, jamais pode deixar de ser humana.

Tertúlia magistral com Fernando Neubarth
Após a Assemblia Geral, o acadêmico Fernando Neubarth conduziu uma tertúlia histórica, com reflexões sobre o conflito de gerações. Ele cita as “quatro frases” reunidas pelo médico inglês Ronald Gibson, que retratam a juventude como mal-educada, desrespeitosa e incapaz de manter a cultura, e então revela que cada uma vem de uma época antiquíssima (Sócrates, Hesíodo, um sacerdote de 2000 a.C. e uma inscrição babilônica de mais de 4000 anos). A conclusão é que a queixa contra os jovens é tão antiga quanto a humanidade e não deve reger nossa visão do futuro.
Em seguida vem a virada, com a fragilidade humana apresentada como força. Pelo mito de Prometeu e Epimeteu (Platão), os animais foram equipados com garras, chifres e velocidade, mas o homem foi esquecido, nu e indefeso, e só sobreviveu porque Prometeu roubou o fogo dos deuses. Plínio, o Velho, reforça a ideia: o homem é o único animal que nada sabe fazer sem ser ensinado.
A tese central é a solidariedade e o vínculo humano. Essa criatura frágil se torna dominante por ser diferente, consciente do luto, do riso e da morte, e a espécie só se fortaleceu quando adotou gestos solidários, como ajudar os retardatários, carregar os feridos e dividir o alimento, assumindo que a fraqueza do outro era a sua própria fraqueza.
Há ainda uma ponte para liderança e Medicina, no bloco “Além da Estrada de Tijolos Amarelos – O Mágico de Oz”, que usa a metáfora de Oz para refletir sobre liderança, apoiada nas imagens dos slides sem texto. O encerramento é uma saudação pessoal de votos de sucesso à nova presidente, Sueli Coelho da Silva Carneiro.
Em uma frase: foi uma saudação de posse que usando história, mito e filosofia para mostrar que o pessimismo com as novas gerações é eterno e infundado, e que a verdadeira força, na vida e na Medicina, está na solidariedade e no cuidado com o mais frágil.
Academia fazendo história
As assembleias e a reunião dos acadêmicos em 2026 ficará marcada pela fraternidade e união dos acadêmicos, pelo brilhantismo dos pronunciamentos e a certeza de que Academia mantém sua trajetória ascendente, em direção firme à sua missão de promover a reumatologia, seus pioneiros e discípulos contemporâneos, honrando legados e guardando princípios e propósitos da especialidade e da medicina.
