EDGARD ATRA

EDGARD ATRA, patrono da Cadeira 46.

Graduou-se em 1960 pela Escola Paulista de Medicina. Recém-formado, vinculou-se à disciplina de Patologia Clínica como Assistente Voluntário e, a partir de 1964, foi contratado como Auxiliar de Ensino.

Com bolsa de estudos da Organização Mundial da Saúde, realizou, em 1968, um Curso de Imunologia que o credenciou a, nos anos de 1969 e 1970, especializar-se em Reumatologia. Fez essa formação no Centro Vigo-Peterson, dirigido pelo monumental Stanislas de Séze, no Hospital Lariboisière, da Faculdade de Medicina de Paris. Por seus trabalhos e por sua tese, foi titulado Assistente Estrangeiro daquela instituição de ensino superior.

De volta ao Brasil, em 1971, inaugurou uma nova fase da Reumatologia na Escola Paulista de Medicina — instituição que, nos anos quarenta, já abrigara os irmãos Luchesi, do Serviço de Jairo Ramos, responsáveis pelos primeiros ensaios da especialidade em São Paulo. Atra criou, inicialmente, o Setor de Reumatologia da Clínica Médica, em 1971, e conseguiu transformá-lo em disciplina independente a partir de 1977.

Construiu uma vitoriosa carreira de professor, submetendo-se a concursos e obtendo sempre a nota máxima — para Assistente, Adjunto e Titular. Mais tarde, tornou-se membro de diversas comissões examinadoras.

Como Professor Titular de Reumatologia, seu Serviço no Hospital São Paulo foi não apenas local de ensino de graduação (5º ano médico), mas também sede de conceituada Residência, para a qual acorriam jovens médicos de todo o Brasil em busca de seus ensinamentos, na condição de Doutor em Medicina e Docente Livre da especialidade.

Suas atividades associativas exerceu-as na Sociedade Paulista de Reumatologia, da qual foi Presidente, e na Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR), fazendo-se presente a todos os congressos desde o sexto (São Paulo, 1966), bem como às suas reuniões e jornadas — somando cerca de oitenta presenças e apresentando aproximadamente cento e cinquenta trabalhos. Deu ainda sete importantes contribuições nos vinte congressos internacionais de que participou. Publicou cerca de cem trabalhos no Brasil e vinte e dois no exterior.

Foi um dos mais eficientes editores da Revista Brasileira de Reumatologia, à qual deu nova feição e grande importância; por esse trabalho, recebeu a outorga de Membro Honorário da SBR. Por seus estudos, mereceu o Prêmio Torres Homem por três vezes.

Seu brilhante currículo tornou-o, sem sombra de dúvida, merecedor da escolha para Patrono e Membro Titular da Cadeira Nº 46 da Academia Brasileira de Reumatologia. Faleceu em novembro de 1995, em pleno Congresso de Reumatologia.

Texto de Geraldo Wilson da Silveira Gonçalves, no livro “Reumatologia Brasileira: Precursores e Pioneiros”.