UELINTON VIANNA

Ueliton Vianna

UELINTON VIANNA, patrono da Cadeira 42.

O Dr. Ueliton Viana foi cofundador da Academia Brasileira de Reumatologia (ABR) e patrono da Cadeira nº 42.

Graduado em Medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em 1962, obteve o título de doutor em Reumatologia pela mesma instituição em 1976.

Na Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR), atuou como membro titular e obteve o Título de Especialista na área. Em sua trajetória associativa e internacional, presidiu a Academia Brasileira de Reumatologia na gestão 1998/2000 e exerceu a presidência do Comitê Ibero-Americano de Reumatologia.

Faleceu em 25 de maio de 2023, deixando sua contribuição registrada no ensino, na prática médica e na organização institucional da especialidade no país.

Sobre ele, escreveu Geraldo Wilson da Silveira Gonçalves, no livro “Reumatologia Brasileira: Precursores e Pioneiros”:

Patrono e Membro Titular — primeiro ocupante — da Cadeira nº 42, Uelinton Viana nasceu na cidade de Nova Iguaçu, no Estado do Rio de Janeiro, em 1937. Filho de Álvaro Vianna e de Maria Cortês Vianna, graduou-se em dezembro de 1962 pela então Faculdade Nacional de Medicina da Universidade do Brasil, hoje Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Fez os estudos primários e secundários no Colégio Afrânio Peixoto, em Nova Iguaçu, concluindo-os em 1952, e o Científico no Colégio Frederico Ribeiro, no Rio de Janeiro, terminando-o em 1955.

Cursou Medicina de 1957 a 1962. A partir de 1958, vinculou-se, no Hospital Escola São Francisco de Assis, à quarta cadeira de Clínica Médica, onde realizou toda a sua formação clínica sob a orientação maior do querido e saudoso Professor Lopes Pontes.

Desde o internato, em 1962, naquele serviço, encaminhou-se para a Reumatologia, liderado pelo saudoso Bonomo. Nascia ali uma forte e estreita amizade, além de uma constante e benéfica colaboração mútua. Assim, quando se deu a criação e a instalação do Centro de Reumatologia, em 1965, ele pôde, ao lado de Ronaldo Baptista, Jair Vieira Gomes, José Antelmo, Moisés Schneider e, depois, Syllos Santana Reis, formar o sustentáculo do sonho do Mestre: transformar o “Centro” em um dos mais importantes polos de formação de especialistas de todo o Brasil.

Uelinton logo teve suas atividades de magistério oficializadas. Foi Auxiliar de Ensino em 1966 e Professor Assistente em 1974, acompanhando Bonomo no Curso de Graduação e na Residência da especialidade, instalada a partir de 1966. Ao prestar concurso para a Livre-Docência, em 1975, tornou-se Professor Adjunto Doutor em Clínica Médica.

Com a criação da Faculdade de Ciências Médicas de Nova Iguaçu, em 1976, Uelinton, por seus méritos e na condição de Livre-Docente, foi nomeado Professor Adjunto de Clínica Médica da nova instituição de ensino, da qual é hoje Professor Titular daquela disciplina, bem como de Reumatologia na Faculdade de Medicina da UFRJ, no Fundão.

Suas atividades associativas o integraram à Sociedade de Reumatologia do Estado da Guanabara — hoje do Rio de Janeiro —, da qual foi Secretário-Geral em 1970 e Presidente em 1975. Desde 1966, porém, já era Membro Efetivo da Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR), iniciando ali sua permanente presença nos congressos brasileiros. A partir do Sétimo Congresso, no Rio de Janeiro, em 1968, com Bonomo e demais colegas da equipe, passou a colaborar na produção de trabalhos, entre os quais se destacam os dedicados ao Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES), às alterações pulmonares da Artrite Reumatoide e à Síndrome do Túnel do Carpo. Foi, ainda, pioneiro no interesse pela Doença de Paget, com pesquisas que o conduziram também à problemática da Osteoporose Senil e da Menopausa. Tais temas passaram a povoar seus trabalhos publicados, assim como cursos, palestras e conferências. Na verdade, Uelinton é presença constante onde quer que haja uma reunião, um congresso ou uma jornada que envolva a SBR e as sociedades coirmãs estaduais.

Com a transferência dos serviços da UFRJ para o Hospital do Fundão, para lá se deslocou em razão de suas próprias obrigações docentes, ampliando suas funções também como médico do Serviço de Reumatologia do Hospital Universitário. Com o falecimento de seu grande mentor e chefe, Israel Bonomo, deu continuidade à sua trilha, pondo-se à frente do já iniciado Mestrado em Reumatologia, apoiado na colaboração — nunca faltada — de seu grande amigo Ronaldo Baptista e no concurso de Geraldo Castelar Pinheiro, Roberto Carneiro e Caio Villela Nunes.

Certa feita, estive, como Consultor da CAPES, em visita àquele Mestrado. Em meu relatório, fiz questão de enaltecer a dedicação dos colegas citados, que, apesar das grandes dificuldades, haveriam de superá-las — como atualmente se pode constatar.

Bonomo, em seu mandato na presidência da SBR (1978–1980), quis marcá-lo com a realização do Congresso Nacional comemorativo dos trinta anos de fundação da Sociedade Brasileira de Reumatologia, criada em 1949. Delegou a Uelinton a tarefa de organizar, realizar e presidir o magno conclave (Rio de Janeiro, 22 a 25 de julho de 1979), que obteve sucesso ímpar ao irmanar duas gerações de especialistas: a dos que iniciaram a especialidade e a dos que a vêm tornando mais forte e mais brilhante — prima inter pares — em toda a América Latina.

Passado mais de um decênio de seu passamento, Bonomo, dos páramos onde se encontra, dará uma prolongada baforada de seu indefectível cachimbo e sorrirá tranquilo, pelos ótimos frutos da semente que tão bem plantou.

E Uelinton Viana há de sentir que não se desviou da missão que lhe deixou o saudoso mestre. Seus pares, contemporâneos dos primeiros e irrequietos tempos de Bonomo, escolheram-no para Patrono e Titular — primeiro ocupante — da Academia Brasileira de Reumatologia.