HERNANI D’AURIA

HERNANI D’AURIA

HERNANI D’AURIA, patrono da Cadeira 18.

Nasceu em 17 de fevereiro de 1927, na cidade de São Paulo. Antes de ingressar na Medicina, concluiu o curso de Contabilidade, realizado entre o ginásio e o científico. Graduou-se em 1953 pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), aos 26 anos.

Seu interesse pela Reumatologia surgiu ainda durante a graduação. Em 1949, quando cursava o segundo ano de Medicina, começou a trabalhar como interno voluntário da Cadeira de Terapêutica Clínica, dirigida pelo professor Cantídio de Moura Campos. Naquele período, acompanhou o início do uso da cortisona, medicamento que abriu novas perspectivas para o tratamento das doenças reumáticas.

Em 1951, já no quarto ano do curso médico, transferiu-se para a Seção de Reumatologia do mesmo serviço, sob a orientação de Castor Jordão Cobra. Entre os primeiros casos que acompanhou estava o de um paciente com artrite reumatoide juvenil tratado com Cortone, nome comercial de uma preparação de cortisona. D’Auria testemunhou os resultados expressivos que marcaram os primeiros anos de utilização do medicamento.

Após a formatura, permaneceu no serviço como clínico-geral voluntário durante os primeiros meses de 1954. Em seguida, iniciou sua trajetória no magistério: foi auxiliar de ensino entre 1954 e 1958 e assistente extranumerário de 1958 a 1961. Depois de aprovado em concurso, tornou-se assistente efetivo e obteve o título de doutor.

Nessa etapa, passou a atuar na Cadeira de Ortopedia e Traumatologia, dirigida pelo professor Francisco Elias de Godoy Moreira. O serviço abrigava a Seção de Reumatologia chefiada por Castor Cobra, com quem D’Auria desenvolveu intensa atividade clínica, científica e didática. Posteriormente, assumiu a chefia da própria seção.

A gota esteve entre seus principais campos de pesquisa. O tema deu origem à tese “Gota úrica”, apresentada em sua carreira acadêmica. Em parceria com Castor Cobra e outros especialistas, também estudou artrite reumatoide, espondilite anquilosante, febre reumática e doenças do tecido conjuntivo. Além da USP, participou de atividades de ensino em instituições de Mogi das Cruzes, Santos, Paraná, Sorocaba e Itajubá.

Hernani D’Auria também teve atuação decisiva na organização institucional da especialidade. Ainda estudante do último ano de Medicina, foi um dos 29 signatários da ata de fundação da Sociedade Paulista de Reumatologia, criada em 24 de agosto de 1953. A entidade foi a primeira sociedade regional vinculada à Sociedade Brasileira de Reumatologia.

Membro ativo da nova sociedade, integrou sua diretoria em funções de secretaria e tesouraria. Presidiu a Sociedade Paulista de Reumatologia entre 1964 e 1965. Durante sua gestão, foram instituídas as Tertúlias Reumatológicas, encontros destinados à discussão de casos e temas científicos, e criada a Folha de Reumatologia de São Paulo, primeiro boletim informativo e científico da entidade. D’Auria também esteve ligado à edição inicial da publicação, que antecedeu outros periódicos institucionais da sociedade.

Participou do I Congresso Brasileiro de Reumatologia, realizado em 1955, colaborando com Castor Cobra na elaboração e apresentação de trabalhos científicos. Em 1956, os dois publicaram o artigo “Artrite reumatoide” na Revista de Medicina da Universidade de São Paulo, importante registro de sua produção acadêmica naquele período.

Sua presença constante em congressos, cursos e reuniões científicas, somada à extensa atuação clínica, acadêmica e institucional, consolidou seu nome entre os pioneiros da Reumatologia brasileira. Em reconhecimento a essa trajetória, a Academia Brasileira de Reumatologia registrou Hernani D’Auria como primeiro ocupante e patrono da Cadeira nº 18.